Eles não sabiam. Eles nem sequer imaginavam, mas aquilo tudo já era esperado. Por quem eu não sei, mas parecia coisa feita.

A música acompanhava cada conversa, cada gesto.

Não foi diferente na hora dos tambores, até os copos foram ao chão.

E apesar do barulho dos vidros se quebrando, a menina dizia: "Os lenços estão caindo!"

Por fim, os abraços calorosos e a certeza de que algo havia se construído...


Por que me descobriste no abandono
Com que tortura me arrancaste um beijo
Por que me incendiaste de desejo
Quando eu estava bem, morta de sono

Com que mentira abriste meu segredo
De que romance antigo me roubaste
Com que raio de luz me iluminaste
Quando eu estava bem, morta de medo

Por que não me deixaste adormecida
E me indicaste o mar com que navio
E me deixaste só, com que saída

Por que desceste ao meu porão sombrio
Com que direito me ensinaste a vida
Quando eu estava bem, morta de frio

Soneto (Chico Buarque)

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