Um brinde ao homem que chamou o Brasil de país da delicadeza perdida!

Xangô

olha pro céu meu amor

"Se lembra da fogueira? Se lembra dos balões? Se lembra dos luares dos sertões? A roupa no varal, feriado nacional e as estrelas salpicadas nas canções? Se lembra quando toda modinha falava de amor? Pois nunca mais cantei oh maninha, depois que ele chegou! Se lembra da jaqueira, a fruta no capim, o sonho que você contou pra mim? Os paços no porão, lembra da assombração? E das almas com perfume de jasmim? Se lembra do jardim oh maninha, coberto de flor? Pois hoje só da erva daninha no chão que ele pisou! Se lembra do futuro que a gente combinou? Eu era tão criança e ainda sou, querendo acreditar que o dia vai raiar só porquê uma cantiga anunciou! Mas não me deixe assim tão sozinho a me torturar, que um dia ele vai embora maninha, pra nunca mais voltar!"

 (Maninha - Chico Buarque de Holanda)

 

Isso que não tem ponto

"...e de novo me vens e me contas do mar aberto das costas de tua terra, do vento gelado soprando desde o polo, nos invernos, sem nenhuma baía, nenhuma gaivota ou albatroz sobrevoando rasante o cinza das águas para mergulhar, como certa vez, em algum lugar, rápido iscando um peixe num bico agudo, mas essas outras águas que lembro, eram claras verdes, havia sol e acho que também um reflexo de prata no bico da ave no momento justo do mergulho, nessas águas de que me falas quando me tomas assim e me levas para histórias ou caminhadas sem fim não há verde nem é claro, o sol não transpõe as nuvens, e te imagino então..."

trecho do conto: "À beira do mar aberto"  de Caio Fernando Abreu.

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