uma bossa triste pra uma sexta-feira cinza

"...olha benzinho, cuidado com o seu resfriado, não pegue sereno, não tome gelado, o gym é um veneno, cuidado benzinho não beba demais, se guarde para mim, sua ausência é um sofrimento... e se tiver um momento me escreva um carinho, me mande dinheiro pro apartamento porque o vencimento não é como eu que pode esperar,... o amor é uma agonia, vem de noite , vai de dia, é uma alegria e de repente uma vontade de chorar..."

trecho de "mais um adeus" (vinicius / toquinho)

Deveria haver um decreto que proibísse os sujeitos de atravessarem um inverno desacompanhados. Já não basta nossa solidão intrínseca? Nem um cobertor de orelha? Nem uma voz de travesseiro? Nem um par de pés intrusos e bem-vindos na nossa cama? Nem um alguém que lhe pergunte se vc já tomou sua aspirina? Nem um benzinho como esse aí da música, que é meio ausente mas bem ou mal ainda existe?

Essa lei poderia prever um contrato temporário, do tipo, pelo menos até a primavera, sob pena de multa, vc deve ter um alguém!

E o verão? Bem, o verão.... à Deus pertence!

Saravá!

 

 

Salve!

Noite de quinta-feira de Iansã. Ou Oyá como alguns preferem chama-la.

Noite de ver e ouvir Ney Mesquita cantar jongos, ladainhas, batuques, rezas, sambas e outras bossas...

Noite de ouvir o tambor botando ordem na casa.

Noite de fechar os olhos.

Noite de quem sabe encontrar a Nêga e receber seu forte e confortável abraço e de saber que se eu ainda não "virei", foi por falta de espaço! 

E que se um dia isso acontecer, vou "varrer" o chão do terreiro...

Ê parrê!

Como a Insônia pode mudar sua vida.

Mais uma madrugada sem dormir e me deparo novamente com essa senhora.

Ontem (ou hoje?) ela veio me visitar novamente. Acho que está gostando de mim. Não é mais tão estranha, como já foi no passado. Tournou-se velha conhecida, até já trocamos presentes: Ontem eu oferecí esse Blog à ela, como quem oferta uma comida prum Orixá! Ela não deixou por menos e como boa amiga que é, tratou logo de me retribuir com um belo despacho* : O DESPERTAR DA MONTANHA, que apareceu de surpresa nas páginas de um livro que eu já havia lido tantas vezes e há tanto tempo vinha empoeirando na estante abarrotada...

Uma coletânea de contos ou crônicas tem essa vantagem: pode lhe surpreender com um texto-segredo, que havia se escondido de você entre as páginas do livro, ou cujo título e autor não exerciam fascínio algum sobre sua pessoa e nem despertavam a menor curiosidade no seu passado inocente...

Por fim, enchí meu peito com o ar gelado da madrugada mais fria do ano e com a coragem que é preciso ter pra encontrar uma entidade, então mergulhei com todo o amor e desespero na leitura dessa pequena e definitiva crônica de Paulo Mendes Campos...

E acho que nunca nais serei o mesmo!

*despacho: na umbanda, no catimbó ou em alguns candomblés de caboclo, ação de depositar em um lugar determinado (com frequência encruzilhada, cachoeira ou mata...) uma oferendo a Exu; Ebó;

 

Música

1.combinação harmoniosa e expressiva de sons; 2. a arte de se exprimir por meio de sons, seguindo regras variáveis conforme a época a civilização, etc; 3. interpretaçao de obra musical; 4. acompanhamento musical; 5. sons vocais, instrumentais ou mecânicos, com ritmo, harmonia e melodia. 6. produto da criação ou execução musical; 7. notação escrita de composição musical, partitura; 8. (...); 9. sequência de sons agradáveis ao ouvido; 10. qualidade musical, musicalidade; 11. lamentação interminável que importuna, choro, lamúria; 12. algo que se repete; 13. mulher grávida.

(dicionário Houaiss da lingua portuguesa, ed. Objetiva.)

 

 

[ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: