"...Saí radiante para a rua e pela primeira vez me reconheci no horizonte remoto do meu primeiro século..."
(Gabo)
colagem de gente
Das estrelas se perguntarem se tantas são
Cada estrela se espanta à própria explosão
Gente deste planeta do céu de anil
Gente, não entendo, gente, nada nos viu
Gente, espelho de estrelas, reflexo do esplendor
Se as estrelas são tantas, só mesmo amor
Gente, espelho da vida, doce mistério!
(a partir de Gente, Caetano Veloso, 1977)
Genipapo Absoluto!
Lavagem do Bonfim Gilberto Gil 1993 |
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Lavagem do Bonfim, quinta-feira Sai da Conceição da Praia a primeira Talagada de batida na Praça Cairu Levanta a pista ao alto o Lacerda Mais parece um corredor que envereda Uma pista de corrida a correr pro céu azul
Olha a vertigem, Virgem Maria! Te segura, criatura, que o dia Inda tá menino moço, o almoço inda tá cru Segura bem na mão da menina Poupa o coração, que é só na colina Que o santo serve o caruru
Timbau, pandeiro, som de guitarra Tanta roupa branca, tanta algazarra Zona franca de folia, de fé, de devoção Foto de lambe-lambe, alegria Vai passar pelo moinho da Bahia Mais de trinta graus de calor, amor e emoção
Lembra bem dos degraus da igreja Guarda um pouco de suor pra que seja Misturado às águas e às mágoas de lavar o chão Faz tempo que passou da calçada Segura os joelhos nessa chegada Que o peito arde de paixão
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É d’Oxum Gerônimo Vevé Calazans ---- |
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Nessa cidade todo mundo é d’Oxum Homem, menino, menina, mulher Toda cidade irradia magia Presente na água doce Presente n’água salgada E toda cidade brilha Presente na água doce Presente n’água salgada E toda cidade brilha Seja tenente ou filho de pescador Ou importante desembargador Se der presente é tudo uma coisa só A força que mora n’água Não faz distinção de cor E toda cidade é d’Oxum A força que mora n’água Não faz distinção de cor E toda cidade é d’Oxum É d’Oxum, é d’Oxum É d’Oxum (Ia aguibá, ia aguibá, aguibá Ia Oxum aura olu, olu, olu Olu adupé, aguibá Oxum aurá Olu, olu adupé, adupé) Eu vou navegar Eu vou navegar nas ondas do mar Eu vou navegar Nas ondas do mar Eu vou navegar nas ondas do mar Eu vou navegar
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Onde eu nasci passa um rio Caetano Veloso 1967 |
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Onde eu nasci passa um rio Que passa no igual sem fim Igual sem fim minha terra Passava dentro de mim Passava como se o tempo Nada pudesse mudar Passava como se o rio Não desaguasse no mar O rio deságua no mar Já tanta coisa aprendi Mas o que é mais meu cantar É isso que eu canto aqui Hoje eu sei que o mundo é grande E o mar de ondas se faz Mas nasceu junto com o rio O canto que eu canto mais O rio só chega no mar Depois de andar pelo chão O rio da minha terra Deságua em meu coração
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ilha de maré
ai
eu vim de ilha de maré minha senhora, pra fazer samba na lavagem do bomfim...
quando eu cheguei no bomfim minha senhora, da carroça enfeitada eu saltei, com água, flores e perfume a escada da colina eu lavei
aí foi que eu sambei compadre, aí foi que eu sambei comadre...
O amor (sobre o poema de Wladimir Maiakovski) Caetano Veloso Ney Costa Santos Wladimir Maiakovski ---- |
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Talvez quem sabe um dia Por uma alameda do zoológico Ela também chegará Ela que também amava os animais Entrará sorridente assim como está Na foto sobre a mesa Ela é tão bonita Ela é tão bonita que na certa Eles a ressuscitarão O Século Trinta vencerá O coração destroçado já Pelas mesquinharias Agora vamos alcançar Tudo o que não podemos amar na vida Com o estrelar das noites inumeráveis Ressuscita-me Ainda que mais não seja Por que sou poeta E ansiava o futuro Ressuscita-me Lutando contra as misérias Do cotidiano Ressuscita-me por isso Ressuscita-me Quero acabar de viver o que me cabe Minha vida Para que não mais existam Amores servis Ressuscita-me Para que ninguém mais tenha De sacrificar-se Por uma casa, um buraco Ressuscita-me Para que a partir de hoje A partir de hoje A família se transforme E o pai seja pelo menos o universo E a mãe seja no mínimo a Terra A Terra, a Terra
voz: Gal Costa
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Nós, por exemplo
Gilberto Gil
1976
Nós somos apenas vozes
Nós somos apenas nós
Por exemplo
Apenas vozes da voz
Somos nós, por exemplo
Apenas vozes da voz
Nós somos apenas vozes
Ecos imprecisos do que for preciso
Impreciso agora
Impreciso tão preciso amanhã
Nós, por exemplo, já temos Iansã
Nós, por exemplo, já temos Iansã
Nós somos apenas vozes
Nós somos apenas
Nós, por exemplo
Apenas vozes da voz
Somos nós, por exemplo
Apenas vozes da voz
Nós somos apenas vozes
Do que quer que seja luz no cor-de-rosa
Cor na luz da brasa
Gás no que sustenta a asa no ar
Nós, por exemplo, queremos cantar
Nós, por exemplo, queremos cantar
Nós somos apenas vozes
Nós somos apenas nós
Por exemplo
Apenas vozes da voz
Somos nós, por exemplo
Apenas vozes da voz
Nós somos apenas vozes
Do que foi chamado de "a grande expansão"
Pé no chão da fé
Fé no céu aberto da imensidão
Nós, por exemplo, com muita paixão
Nós, por exemplo, com muita paixão
Nós somos apenas vozes
Nós somos apenas
Nós, por exemplo
Apenas vozes da voz
Somos nós, por exemplo
Apenas vozes da voz
Eu acredito
Se você quer que eu fique, eu fico
Eu faço só pra te agradar
Amor, eu sempre acredito
No que você quer
Tentando não ficar aflito
E as horas passam a mais de cem
Amor, eu sempre acredito
No que você quer, meu bem
E as horas passam tão depressa
E eu vejo tudo ruir
O que é que eu fiz
O tempo que eu não estive aqui?
Será que fui feliz?
É [Ah], sem você não há saída
Tudo é só repetição
Amor, eu sempre acredito
No seu e no meu coração
Marina Lima
Chuta que é Macumba!!!
Quem é ateu
E viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem deus
Não cessam de brotar
Nem cansam de esperar
E o coração
Que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão
Não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória
E paira para além da história
Ojú obá ia lá e via
Ojú obá ia
Xangô manda chamar
Obatalá guia
Mamãe oxum chora
Lágrima alegria
Pétala de iemanjá
Iansã oiá ria
Ojú obá ia lá e via
Ojú obá ia
Obá
É no xaréu
Que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu
Que o grande vencedor
Se ergue além da dor
Tudo chegou
Sobrevivente num navio
Quem descobriu o brasil
Foi o negro que viu
A crueldade bem de frente
E ainda produziu milagres
De fé no extremo ocidente
Ojú obá ia lá e via...
Depois de um longo sono de palavras...
JÁ DEU PRA SENTIR - TUTU
JÁ DEU PRA CRIAR FAMA
JÁ DEU PRA SENTIR QUAL A TRAMA
QUANDO EU NASCI JÁ TINHA CALOR
BOCA-DE-SIRÍ, BEIJOS DE AMOR...
JÁ DEU PRA SABER QUEM ME AMA
JÁ DEU PRA SENTIR NUMA CAMA
QUANDO EU NASCI JÁ TINHA A FLOR
O CÉU, JAVALÍ, CÃO CAÇADOR...
A PRAIA DE COPACABANA, MINHA MÃE,
SÃO PAULO, HAVANA
QUANDO EU NASCI TINHA, SIM SENHOR,
ÁGUIA, PATURÍ, CAMELO, CONDOR...
E AS ÁGUAS DO AMAZONAS, OS RATOS, AS RÃS, RATAZANAS
QUANDO EU NASCI JÁ TINHA TERROR
SAPO, SAPOTÍ, CRISTO REDENTOR...
JÁ DEU PRA SABER DANÇAR SAMBA
JÁ DEU PRA SENTIR PERNAS BAMBAS
QUANDO EU NASCI JÁ TINHA VAPOR
LITLE RICHARD JÁ ERA CANTOR...
JÁ DEU PRA SABER SER URBANO
JA DEU PRA SENTIR SER HUMANO
QUANDO EU NASCI JÁ TINHA GLAMOUR
PINEL, JUQUERÍ, SANTOS, SALVADOR...
(Itamar Assumpção / Marcus Miller)
Meia-noite
Se a noite não tem fundo
O mar perde o valor
Opaco é o fim do mundo
Pra qualquer navegador
Que perde o oriente
E entra em espirais
E topa pela frente
Um contingente
Que ele já deixou pra trás
Os soluços dobram tão iguais
Seus rivais, seus irmãos
Seu navio carregado de ideais
Que foram escorrendo feito grãos
As estrelas que não voltam nunca mais
E um oceano pra lavar as mãos
(Chico Buarque)